domingo, 3 de junho de 2012

As mudanças dos “anos loucos”

A década de 1920 foi uma das mais revolucionárias de toda a história da moda. Conhecida como “anos loucos”, é um tempo cheio de mudanças e desejo pelo novo. A mulher, já emancipada, trabalhava e podia ganhar seu próprio dinheiro e consumir. A busca por diversão fez com que o jazz contribuísse para as mudanças da moda, que se tornou funcional e simples.  


A busca por uma moda mais informal, fez surgir uma nova mulher.  O visual, agora, era andrógino, todas as curvas foram abandonadas e o toque final foi o uso do corte de cabelo curto.         

Quando se fala de moda do século XX, logo nos vem a cabeça Coco Chanel, que foi a grande revolucionária dessa nova forma de vestir mais leve, simples e informal. Tal é a importância de Chanel para a moda, que aprofundaremos sobre ela em outro post.      

De acordo com o livro “A moda do século XX”, de Valerie Mendes e Amy de la Haye, no pós-guerra, Paris continuou a dominar a moda internacional e as casas de alta-costura tiveram uma explosão de vendas, com isso, muitos estilistas expandiram suas casas de moda. A indústria crescia à medida que os modistas aliavam a venda de roupas de alta qualidade a outros produtos, como perfumes. Gabrielle Chanel foi a primeira estilista a colocar em um vidro de perfume seu próprio nome e, logo, foi imitada por tantos outros.

Além de Coco Chanel, os grandes nomes dessa década foram Madame Paquin, Jean Patou, Madelaine Vionnet e Jeanne Lanvin.


Marion Morehouse usando vestido de
paetês preto Chanel para a revista
Vogue, em 1926.

 La Garçonne

João Braga, no livro “História da Moda – uma narrativa”, conta que as bainhas das saias e vestidos subiram e atingiram o ápice, em 1925, com o comprimento logo abaixo dos joelhos. Com isso, o uso de meias fez sucesso e as mais usadas eram de seda natural bem claras para dar ideia de cor da pele.

A negação das curvas, fez com que as roupas adquirissem uma forma tubular, justas ou um pouco mais amplas e a cintura deslocou para a altura do quadril. Para conseguir o visual andrógino, as mulheres usavam achatadores de seios e cintas que exprimiam o volume dos quadris.         


Esse seria o estilo que determinaria a moda da década de 20: o visual garçonne. “A simplicidade que caracteriza o visual garçonne fica evidente antes no corte que no tecido. O vestido chemise, de corte reto, iria tornar-se a linha dominante para os trajes de dia e noite.”, conta Valerie Mendes. 
         
O estilo jovial desse visual atingiu seu auge em 1926, trouxe uma mudança no físico desejável para a moda e inundou as páginas de moda com adjetivos como esbelto, esguia e delgada.

Para acompanhar a tendência dos cabelos curtos, as mulheres começaram a utilizar o chapéu cloche, era usado rente a cabeça até o nível das sobrancelhas para realçar os olhos.   

Com o visual garçonne, o que distinguia moças de rapazes eram os lábios vermelhos e as sobrancelhas realçadas com lápis.     

Durante toda a década de 20, as formas das roupas pouco se modificaram, mas, as cores e os tecidos mudavam com mais frequência. Porém, no final da década, as saias começaram a ficar assimétricas e o uso de franjas caiu no gosto das mulheres.





 Visual garçonne: Dizem que o termo originou-se da novela sensacionalista de Victor Margueritte, de 1922, La Garçonne, que conta a história de uma jovem progressista, que deixa a casa da família em busca de uma vida independente. O visual garçonne era antes uma aspiração que uma realidade já que relativamente poucas mulheres realmente experimentavam a liberdade social, econômica e política. 






Em inglês, o vídeo mostra a nova mulher dos anos 20, com suas roupas e novos hábitos.

Leia mais em:
O revival dos anos 20 no cinema
De volta aos anos 20
Coco Chanel: uma mulher à frente de seu tempo

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